RESENHA - Letal (SANDRA BROWN)



Ficha técnica:
Referência bibliográfica: BROWN, Sandra. Letal. 1ª edição. Rio de Janeiro, Editora Rocco, 2019. 430 páginas.
Gênero: Suspense
Temas: Investigação, crime, assassinatos
Categoria: Literatura Estrangeira (Literatura Norte-Americana)
Ano de lançamento: 2019



        “Coburn afastou-se gradualmente da mulher, mas mesmo assim era evidente o medo dela em relação a ele. Bom. Ele precisava que ela ficasse com medo. Inspiraria cooperação. − Você está sendo caçado −  disse ela.
− Atrás de cada árvore.
− Polícia da cidade, polícia estadual, voluntários. Cães.
− Eu ouvi os cães ganindo hoje de manhã.
− Eles vão encontrá-lo.
− Ainda não encontraram.
− Você devia continuar fugindo.
− Gostaria disso, não é, sra. Gillette?”
         *Letal (pág. 22).

                Honor vivia a uma vida pacata com a filha Emily em uma cidade chamada Tambour, numa casa que ainda havia muitas lembranças de uma época feliz em que seu falecido marido ainda era vivo. Porém, aquela paz foi quebrada quando um homem ferido aparece em seu jardim. Relutante, mas vendo a condição do homem, Honor tenta ajudá-lo, apenas para descobrir que Lee Coburn era um homem procurado pela polícia pelo suposto envolvimento em um massacre que vitimou várias pessoas em um armazém.
                Inicialmente Honor achou que o criminoso havia caído ali na casa dela por acaso enquanto fugia, mas não. Coburn em meio a ameaças de matá-la e matar sua filha a todo momento perguntava coisas sobre seu falecido marido Eddie, insistindo e insinuando que ele escondia algo que era valioso.
                Então ela percebeu que Coburn não escolheu sua casa para se refugiar por acaso. Ele sabia sobre algo que ela tinha desconhecimento e aquilo envolvia a morte do marido dela. Em questão de horas Honor se viu jogada em uma trama intrincada, onde nada era o que parecia ser. Coburn havia plantado várias dúvidas em sua cabeça, logo ela começou a desconfiar de seus amigos e familiares.  E junto de seu sequestrador, Honor começa a descobrir que as pessoas que ela conhecia não são o que dizem ser.




                Letal é uma obra de suspense escrita pela autora Sandra Brown, publicada aqui pela editora Rocco. Esse foi o primeiro livro de parceria que peguei com a editora. Escolhi esse livro porque estava querendo mudar um pouco o estilo de livros que estava lendo que eram basicamente Fantasia e Terror e esse livro apareceu como uma forma de dar uma variada.
                Pois bem, Letal tem tudo que um bom livro de suspense deve ter: um crime, uma investigação, mistérios, pessoas que dizem que são A, mas são B, e reviravoltas (esqueci algo?). Na história conhecemos Honor, que era apenas uma viúva tentando criar sua filha Emily de apenas 4 anos. Após a invasão de sua casa, conhecemos Lee Coburn, que era acusado de assassinar a sangue frio seus próprios colegas de trabalho em uma empresa de transportes. À medida que a história avança vamos conhecendo as motivações de Coburn, que não era apenas um trabalhador, mas sim… spoiler haha. Ele não é quem diz ser.
                No meio do caminho conhecemos o “Bad Guys”, a começar pelo “Contador”, um chefão do crime organizado, que era o grande facilitador para que carregamentos de drogas, armas e até pessoas (leia-se escravos) chegassem aos seus destinos sem que ninguém interrompesse a viagem no meio do caminho. Como? Ora, como normalmente vemos em filmes: subornos, ameaças e assassinatos. Seu lema era “Não deixar pontas soltas”. Ou seja, vacilou, vai para cova.


       “Nada de pontas soltas. Nada de misericórdia. O mantra do Contador. Qualquer um que recuasse do trabalho sujo geralmente tornava-se a próxima vítima.”
         *Letal (pág. 32).


                Somos apresentados também a personagens coadjuvantes nessa história: os irmãos gêmeos Doral, a amiga de Honor Tori, Diego, o capataz do Contador, Tom Van Hallen, investigador do FBI, dentre outros menores.
                Falando sobre o enredo, ele é exatamente aquilo que vemos em filmes do gênero. Ao menos ao meu ver (nem sou especialista no assunto), não há nada de muito “Uau” na obra. Segue a fórmula de apresentar um problema, investigá-lo, dar de cara com um problema maior, continuar investigando, até achar os culpados.
                As reviravoltas são boas, mas também, nada que chega a ser muito surpreendente. A narrativa te prende pela habilidade da autora de terminar um capítulo no exato ponto que nos interessa. E ficamos “Diabos, o que aconteceu?” e você só descobre dois capítulos depois e no meio desses tem mais coisa para descobrir. O que pode agradar quem é mais aficionado por esse gênero.
                Eu achei a leitura um pouco arrastada, mas eu sei que foi intenção da autora de ir revelando as coisas aos poucos, porém, ela poderia ter economizado papel deixando algumas cenas do livro de lado ou então aproveitado melhor alguns personagens subutilizados na trama.
                Mas o que me deixou um pouco decepcionado foi o final. Ela gastou 350 páginas para montar a trama para nas 50 finais acelerar o processo de modo que as pontas soltas e o grande mistério são resolvidos em um capítulo. E no final fiquei “Sério? Era isso?”. Não chegou a ser ruim, só foi na minha opinião super forçado.  E mesmo que eu tivesse gostado da revelação final, ela veio muito depressa para um livro que se preocupou (até demais) em detalhar a jornada de Honor pela verdade. Sem dar spoilers, o Contador é o grande mistério do livro e minha decepção maior foi em cima dele. Não que não seja surpreendente descobrir quem é, mas falou-se tanto dele, para no final ele ser vencido em poucas páginas. Com direito ao narrador dizendo em duas páginas como ele fez para construir seu império. Para mim ele merecia mais atenção por parte da autora.

(imagem)

          O livro é narrado em terceira pessoa. O narrador foca sua atenção em Honor, mas temos espaço para acompanhar vários outros personagens coadjuvantes e como eles se encaixam na investigação. A fluidez da narrativa é um pouco lenta na minha opinião, mas como falei, é um recurso da própria autora para deixar o tom de mistério no ar. A revisão está boa, quase não encontrei erros.
Agora, a capa… não sei. Ela não me passa quase nada a respeito da narrativa (ok, tem arma em tudo que é lugar no livro, mas é?). Isso sem falar no título. “Letal” também não diz muito do que você vai encontrar no livro. Quando penso na palavra Letal, já imagino alguém que aparece e mata todo mundo sem eles nem saberem o que o atingiram. Não é bem assim que acontece no livro. Não sei que nome daria, mas Letal não seria com certeza. O livro é dividido em 45 capítulos, com um epílogo e agradecimentos no final.
Sandra Brow, autora americana campeã de vendas do New York Times, tem sua obra traduzida em mais de 30 idiomas. Recebeu importantes prêmios literários e, desde seu primeiro romance, em 1981, escreveu mais de 70 livros, entre os quais A troca, Inveja, O álibi, Obsessão, Tiro indireto. Todos publicados pela Rocco. A autora vive com o marido em Arlington, no Texas.
           Letal é um suspense que pode agradar os fãs do gênero por trazer uma trama instigante, que desafia o leitor a tentar solucionar o mistério, com muitas reviravoltas e personagens que não são o que dizem ser. Recomendo para essa galera a obra.




Bibliografia de SANDRA BROW (ordem cronológica):

Livros:

Por conta da enorme quantidade de livros escritos pela autora, vamos deixar o link do skoob para vocês olharem suas mais de 70 obras!



Luciano Vellasco

Sou o cara que brinca de ser escritor e se diverte em ser leitor. Apaixonado por livros, fotografia e escrever. Jogador de rpg nos domingos livres, colecionador de Action Figures e Edições Limitadas de jogos. Cinéfilo, amante de series e animes. Estou sempre em busca de conhecer novas pessoas e aprender com cada uma delas e por último, mas não menos importante: um lendário sonhador.
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