RESENHA - Araruama: O livro das sementes (IAN FRASER)

Ficha técnica:
Referência bibliográfica: FRASER, Ian. Araruama: o livro das sementes. 1ª edição. Belo Horizonte: Moinhos, 2017.
228 páginas.
Gênero: Literatura infantojuvenil
Temas: Mitos, índios
Categoria: Aventura
Ano de lançamento: 2017
Série: Araruama “O livro das sementes.”

- Araruama será o nome de seu lar. Araruama será o maior império do mundo dos homens, o império do primeiro tlatoani. E você, gigante, será um dos homes mais temidos e respeitados da terra. E se você for esperto, estará ao lado do tlatoani quando este decidir derramar o vermelho de seus inimigos.
*Araruama: o livro das sementes (pág. 228).


Araruama é uma série de fantasia nacional baseada na cultura e mitologia indígena. Até o momento estão previsto cinco volumes, com dois já publicados por financiamento no Catarse. Nesse universo criado por Ian Fraser, logo no nascimento, os bebês passam pelo ritual do Aman Paba, que vai determinar quantos motirõs cada um vai viver naturalmente e baseado nisso é definido o seu lugar e função na tribo até que seus amanhãs cheguem ao fim.
Em "O livro das sementes", primeiro volume da série, logo de início, o autor nos apresenta lindamente a gênese desse mundo, além disso, vamos acompanhar alguns jovens de tribos diferentes, - Apoema, Batarra Cotuba, Kaluanã, Eçaí, Izel, Concha e Obiru  -  desde o seus nascimentos até o momento em que alguns partirão para o ritual do Turunã, de onde podem nunca mais voltar. Seus destinos já estão predefinidos, mas isso não quer dizer que eles se encaixem perfeitamente na função que lhes foi dada ao nascer, alguns com dons e ideias que ultrapassam seu lugar na tribo e suas particularidades e diferenças podem mudar tudo que já era conhecido. Você irá encontrar vários seres fantásticos, todos inspirados nas culturas e mitologias dos povos sul e mesoamericanos como Boitatá, Curupira, Caipora, Saci,  Aráybaca, Taturanaruxu, Iarateguba, entre outros.


O principal motivo que me atraiu para ler Araruama e ajudar no financiamento coletivo do livro foi por se tratar de uma temática rica e pouco utilizada na nossa literatura. Existem muitas obras de fantasia legais por aí, mas nem todas tão originais quanto essa. É uma leitura desafiadora, no sentido de que existem expressões, armas, rituais, tribos, epônimos, seres fantásticos e ainda personagens com nomes bem diferentes. Isso tudo dificultou um pouco o meu entendimento da leitura. Com o tempo, alguns significados eu compreendi, mas outros tive que recorrer ao glossário que existe no final do livro.
Mesmo lendo a sinopse, não sabia o que esperar dessa história e fiquei surpresa com a crueldade e violência de algumas cenas que os jovens mitanguarinís protagonizam e com a frieza de algumas tradições. As crianças são carismáticas, mas a minha personagem favorita é a Apoema e estou na expectativa de que ela realizará grandes feitos nos próximos volumes da série.


Um narrador onisciente nos conta essa história em terceira pessoa, intercalando as crianças e seus crescimentos nas diferentes tribos e no final de cada capítulo nos dá um pequeno spoiler do que está por vir, o que só aumenta a nossa curiosidade em saber o que e como vai acontecer. São muitos personagens apresentados nas poucas duzentas e onze páginas, o que não deixa muito tempo para se aprofundar em todos eles, mas ainda são apenas crianças e terão grandes desafios e descobertas pela frente que vão definir suas personalidades. O livro tem páginas amareladas e a fonte tem um ótimo tamanho para leitura. As ilustrações ajudam a impulsionar a nossa imaginação para a imersão no universo de Araruama.


Ian Fraser nasceu em Salvador, Bahia, no ano de 1983. Formado em Cinema & Vídeo e fundador do Teclado Disléxico, seu primeiro romance, O Sangue é Agreste, venceu o prêmio Jovem Autor Inédito pelo Selo João Ubaldo Ribeiro. O romance, um faroeste brasiliense repleto de experimentalismo formal, é o primeiro capítulo na trilogia Os Livros do Sertão. Ian Fraser também escreveu e produziu a peça A Máquina Que Dobra o Nada, sucesso de crítica e vencedor do Prêmio Braskem de Teatro, a maior premiação do teatro baiano, na categoria Melhor Espetáculo Infantojuvenil.  Leitor de  J. R. R. Tolkien e Gabriel García Márquez, Ian Fraser quis criar a sua própria fantasia inspirado nesses grandes autores reimaginando a América do Sul e inserindo elementos mitológicos das culturas mesoamericanas e pré-cabralinos. Araruama foi um livro lançado através do financiamento coletivo do Catarse, e que ultrapassou a meta inicial estipulada devido a várias pessoas apostaram no autor e na fantasia nacional.
A obra não se restringe somente ao livro e ao optar pelo financiamento, você pode optar por marcadores de páginas, poster, ecobag, calendário, aventura de RPG, contos, guia do universo de Araruama e muito mais.  O livro das sementes é um grande prólogo e uma promessa de uma grande aventura que está por vir e mesmo com a dificuldade no decorrer na leitura, vale muito conhecer.


Bibliografia de IAN FRASER (ordem cronológica):
Livros:
  • Araruama: O livro das Sementes - Editora Moinhos (2017)



Resenha escrita pela nossa colaboradora Jéssica Brenda
Luciano Vellasco

Sou o cara que brinca de ser escritor e se diverte em ser leitor. Apaixonado por livros, fotografia e escrever. Jogador de rpg nos domingos livres, colecionador de Action Figures e Edições Limitadas de jogos. Cinéfilo, amante de series e animes. Estou sempre em busca de conhecer novas pessoas e aprender com cada uma delas e por último, mas não menos importante: um lendário sonhador.
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